Pressão e Tempo do Teste de Estanqueidade de Gás: Tabela por Norma

Técnico de engenharia realizando teste de pressão em tubulação de gás com manômetro analógico conectado à rede amarela em área técnica de prédio

A pressão do teste de estanqueidade e o tempo de ensaio não são escolha do executante: são valores fixados em norma, e é por eles que um laudo se sustenta — ou cai. Um ensaio feito a 10 kPa por 15 minutos pode “passar” e ainda assim não valer nada perante o Corpo de Bombeiros, porque não atende ao que a ABNT exige. Este guia reúne, em tabela, a pressão e o tempo de ensaio de cada norma aplicável a redes de gás no Brasil: ABNT NBR 15526 (instalações residenciais), ABNT NBR 15358 (uso não residencial) e ABNT NBR 13523 (central de GLP).

Gráfico de pressão por tempo mostrando as duas etapas do ensaio de estanqueidade da NBR 15526: 60 minutos a 20 kPa e 5 minutos na pressão de operação
As duas etapas do ensaio de estanqueidade da ABNT NBR 15526 e a diferença entre um ensaio conforme e um ensaio reprovado.

O que a norma mede quando fala em pressão de ensaio

O ensaio de estanqueidade não procura vazamento com detector: ele pressuriza um trecho isolado com um fluido inerte e observa o manômetro. Se a pressão não cai ao longo do tempo normalizado, a rede está estanque. Se cai, existe fuga — e o tamanho da queda não importa, porque a norma não admite tolerância.

Toda a lógica gira em torno de três grandezas: a pressão de ensaio, sempre superior à pressão de trabalho para amplificar qualquer fuga; o tempo, longo o bastante para que um microvazamento se manifeste no instrumento; e a resolução do manômetro, que precisa ser fina o suficiente para enxergar essa queda. Falhar em qualquer uma das três invalida o ensaio inteiro.

Tabela: pressão e tempo do teste de estanqueidade por norma

Norma / aplicação Pressão de ensaio Tempo mínimo Fluido
NBR 15526 — rede interna residencial
1ª etapa
No mínimo 1,5 × a pressão de trabalho máxima admitida (PTMA) e nunca inferior a 20 kPa 60 min Ar comprimido ou gás inerte
NBR 15526 — rede interna residencial
2ª etapa
Pressão de operação 5 min (1 min para estabilização) Ar comprimido ou gás inerte
NBR 15358 — uso não residencial (comercial e industrial) No mínimo 1,5 × a PTMA 60 min, alterável apenas com metodologia reconhecida Ar comprimido ou gás inerte
NBR 13523 — central de GLP
ensaio pneumático
No mínimo 1,7 MPa 15 min Ar comprimido
NBR 13523 — central de GLP
ensaio hidráulico
No mínimo 2,55 MPa 15 min Água
Valores conforme as edições vigentes das normas citadas. Confirme sempre a edição aplicável ao projeto e à data do laudo.

Repare no salto de grandeza: a rede interna de um apartamento é ensaiada a 20 kPa, enquanto a central de GLP que alimenta o mesmo prédio é ensaiada a 1,7 MPa — 85 vezes mais. Não é exagero normativo: a central opera com GLP em fase líquida sob pressão de vapor, e a tubulação de alta precisa suportar essa condição com margem. Tratar os dois ensaios como se fossem o mesmo procedimento é o erro conceitual mais comum em laudos de baixa qualidade.

Por que 20 kPa é o piso da NBR 15526

A regra da NBR 15526 tem duas condições que precisam ser satisfeitas ao mesmo tempo: a pressão de ensaio deve ser de no mínimo 1,5 vez a PTMA e, independentemente disso, não pode ser menor que 20 kPa.

Quando o piso de 20 kPa manda

Numa rede residencial de gás natural a jusante do regulador, a pressão de operação típica fica na casa de 2 a 2,5 kPa. Uma vez e meia isso dá 3 a 3,75 kPa — muito abaixo do piso. Logo, o ensaio é feito a 20 kPa. É por isso que praticamente todo laudo de apartamento traz esse número.

Quando 1,5 × PTMA manda

Em trechos de pressão intermediária — por exemplo uma prumada alimentada a 50 kPa antes do regulador de segundo estágio — 1,5 × PTMA resulta em 75 kPa, e é esse o valor que vale. Aplicar 20 kPa nesse trecho seria ensaiar abaixo da pressão de trabalho, o que não prova absolutamente nada. Identificar corretamente a PTMA de cada trecho é responsabilidade do engenheiro, e é exatamente o que separa um teste de pressão em tubulação de gás bem executado de um ensaio decorativo.

Os 60 minutos não são negociáveis

A primeira etapa da NBR 15526 exige 60 minutos de observação, e a NBR 15358 repete o mesmo tempo para instalações comerciais e industriais. O motivo é físico: um furo de fração de milímetro pode levar dezenas de minutos para produzir uma queda legível no manômetro. Ensaio de 10 ou 15 minutos em rede interna simplesmente não tem resolução temporal para reprovar um microvazamento — ele produz um laudo bonito e uma instalação insegura.

A NBR 15358 admite tempo diferente de 60 minutos desde que sejam utilizadas metodologias reconhecidas. Isso não é uma porta aberta para encurtar o ensaio por conveniência: exige procedimento documentado, instrumentação compatível e justificativa técnica registrada no laudo. Na ausência disso, vale a hora cheia.

Some-se a isso o tempo de estabilização. Ar comprimido injetado na tubulação aquece; ao esfriar, a pressão cai por efeito térmico, não por vazamento. Por isso a segunda etapa da NBR 15526 reserva um minuto só para estabilizar antes de iniciar a contagem, e por isso um bom procedimento aguarda o equilíbrio térmico antes de tomar a leitura inicial da primeira etapa.

O instrumento decide a validade do ensaio

Este é o ponto que mais reprova laudo em análise técnica, e quase ninguém comenta. Não basta ter manômetro: a norma define onde a leitura precisa cair dentro da escala e qual a resolução mínima.

Norma Faixa útil do instrumento Resolução
NBR 15526 Leitura entre 20 % e 80 % do fundo de escala Divisões não maiores que 1 % do final da escala
NBR 15358 Leitura entre 25 % e 75 % do fundo de escala Divisões não maiores que 1 % do final da escala
NBR 13523 Leitura entre 25 % e 75 % do fundo de escala Instrumento calibrado

Na prática: ensaiar 20 kPa com um manômetro de fundo de escala de 400 kPa coloca a leitura em 5 % da escala. Está fora da faixa exigida, a resolução é grosseira e uma queda de 2 ou 3 kPa passa despercebida. O ensaio é tecnicamente nulo, mesmo que o executante jure que a agulha não se moveu. O instrumento também precisa de certificado de calibração vigente, rastreável, cujo número deve constar do laudo.

Fluido de ensaio: nunca o gás combustível

As normas são explícitas: o ensaio é feito com ar comprimido ou gás inerte (nitrogênio) nas redes internas, e com ar comprimido ou água na central de GLP. Pressurizar a rede com o próprio gás natural ou GLP para “testar” é prática proibida e perigosa — cria atmosfera explosiva dentro de uma tubulação que, por hipótese, ainda não se sabe se é estanque.

Há uma segunda razão, técnica: o GLP em fase líquida e o gás natural têm comportamento termodinâmico que distorce a leitura do manômetro. O ar seco e o nitrogênio são previsíveis e permitem separar queda por temperatura de queda por vazamento.

Critério de aceitação: zero tolerância

O critério normativo é direto: nenhuma variação perceptível da medição durante todo o período de ensaio. Não existe “queda aceitável de 1 kPa”. Constatada a redução, a norma determina localizar o vazamento, repará-lo e repetir o ensaio integralmente — a contagem recomeça do zero, não continua de onde parou.

Se o resultado foi reprovado na sua unidade, o caminho técnico está detalhado em teste de estanqueidade reprovado em apartamento.

Sete erros que invalidam o ensaio

  1. Ensaiar abaixo de 20 kPa em rede residencial, por conforto do executante ou receio de danificar a instalação.
  2. Encurtar o tempo para 10 ou 15 minutos em rede interna, sem metodologia reconhecida que justifique.
  3. Manômetro superdimensionado, com a leitura fora da faixa de 20–80 % (ou 25–75 %) do fundo de escala.
  4. Instrumento sem calibração vigente ou sem número de certificado no laudo.
  5. Não isolar o trecho: deixar aparelho de utilização, regulador ou medidor dentro do circuito ensaiado.
  6. Ignorar a estabilização térmica e tomar a leitura inicial com o ar ainda aquecido pela compressão.
  7. Reensaiar só o trecho reparado em vez de repetir o ensaio da rede inteira.

Quem pode executar e assinar

O ensaio e o laudo são atribuição de engenheiro habilitado com registro no CREA, e o documento só tem valor legal acompanhado da ART correspondente. Laudo sem ART, ou assinado por quem não tem atribuição, é papel — e é assim que o Corpo de Bombeiros trata na análise do AVCB. O tema está aprofundado em engenheiro de gás: quem emite o laudo de estanqueidade e em laudo de gás para AVCB em Belo Horizonte.

Perguntas frequentes

Qual a pressão do teste de estanqueidade em apartamento?

Na rede interna residencial, a primeira etapa é feita a no mínimo 1,5 vez a pressão de trabalho máxima admitida e nunca abaixo de 20 kPa. Como a pressão de operação típica é de 2 a 2,5 kPa, prevalece o piso de 20 kPa.

Quanto tempo dura o teste de estanqueidade de gás?

A primeira etapa exige 60 minutos mínimos de observação e a segunda etapa, 5 minutos na pressão de operação, sendo 1 minuto para estabilização. Na central de GLP, o tempo mínimo é de 15 minutos, porém sob pressão muito superior.

Pode usar o próprio gás para fazer o teste?

Não. As normas exigem ar comprimido ou gás inerte nas redes internas, e ar comprimido ou água na central de GLP. Ensaiar com gás combustível cria atmosfera explosiva e invalida o laudo.

Uma queda pequena de pressão reprova o ensaio?

Sim. O critério normativo é de nenhuma variação perceptível da medição. Qualquer queda consistente, descontado o efeito térmico, caracteriza vazamento e obriga a reparar e repetir o ensaio integralmente.

Qual manômetro usar no teste de estanqueidade?

Um instrumento calibrado cujo fundo de escala coloque a pressão de ensaio entre 20 % e 80 % da escala pela NBR 15526 — ou 25 % a 75 % pela NBR 15358 e pela NBR 13523 — com divisões não maiores que 1 % do final da escala.

Ensaio com parâmetro certo, laudo que sustenta vistoria

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