A cozinha de uma escola funciona todo dia, prepara comida para muita gente e fica a poucos metros de salas cheias de crianças. Mesmo assim, é comum encontrar botijão dentro da cozinha, central de gás virando depósito e mangueira vencida no fogão industrial. A instalação de gás em escola e creche precisa de mais cuidado que a de uma casa, e o único momento em que dá para mexer nela sem criança no prédio são as férias. Este artigo explica o que costuma estar errado, o que a nova edição da regra dos Bombeiros de Minas exige e como planejar a obra para dezembro e janeiro.
Instalação de gás em escola: por que aproveitar as férias
Em 2026, o ano letivo termina em 18 de dezembro tanto na rede estadual de Minas Gerais, conforme o calendário divulgado pela Secretaria de Estado de Educação, quanto na rede municipal de Belo Horizonte, segundo a Itatiaia. Escolas particulares e creches conveniadas seguem calendários próprios, mas quase todas param no mesmo período.
Com a cozinha parada, dá para cortar o gás, trocar tubulação, mudar botijões de lugar e testar a rede sem pressa. O problema é o calendário de quem paga: escola pública e caixa escolar dependem de processo de compra, e escola particular precisa aprovar o gasto com a mantenedora. Quem quer a obra pronta antes da volta às aulas precisa pedir vistoria e orçamento agora, em novembro.
Por que a cozinha da escola e da creche pede mais cuidado
Uma cozinha escolar tem quatro características que aumentam o risco:
- Muita gente no prédio: em caso de vazamento ou incêndio, a evacuação envolve crianças pequenas, que não saem sozinhas.
- Uso diário e pesado: fogão industrial, forno e caldeirão ligados por horas, o que desgasta mangueira, regulador e registro mais rápido.
- Troca de botijão feita por quem não é do ramo: muitas vezes a merendeira ou o porteiro troca o recipiente, sem treinamento e sem teste de vazamento depois.
- Pouca verba para manutenção: o gás só recebe atenção quando falta ou quando o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) vai vencer.
Some a isso prédios antigos, adaptados para virar escola, e o resultado é uma instalação que cresceu “no improviso”: um botijão a mais aqui, uma mangueira mais comprida ali.
Os problemas que mais aparecem nas vistorias
Nas inspeções em cozinhas escolares e de creches, estes são os pontos que mais se repetem:
- Botijão dentro da cozinha, às vezes dois ou três, ao lado do fogão.
- Central de gás usada como depósito de vassoura, caixa de papelão, botijão vazio e material de limpeza.
- Mangueira e regulador vencidos ou fora de norma, com emendas e abraçadeiras improvisadas. Veja como conferir no artigo sobre a validade da mangueira de gás.
- Mangueira atravessando parede para levar o gás de um botijão externo até o fogão.
- Fogão industrial sem registro próximo, o que obriga alguém a ir até a central para cortar o gás numa emergência.
- Pouca ventilação na cozinha ou no local dos recipientes.
- Rede sem teste de estanqueidade recente, ou com laudo antigo que não serve mais para o AVCB.
Nenhum desses itens costuma dar sinal antes de virar problema. Por isso a vistoria com equipamento e o teste da rede valem mais que a impressão de que “nunca vazou”.
O que a regra dos Bombeiros de Minas exige (IT 23, 3ª edição)
Em Minas Gerais, o uso de GLP (gás de botijão) em edificações segue a Instrução Técnica 23 do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). A 3ª edição da IT 23 foi aprovada pela Portaria nº 83, de 14 de agosto de 2026, e endureceu as regras para botijão dentro de prédios. Escolas e creches que vão renovar o AVCB ou mexer na cozinha precisam olhar para ela. Os pontos que mais pesam:
Botijão de 13 kg: a regra é ficar do lado de fora
Pelo item 8.1.1, o botijão de até 13 kg (o P-13, de cozinha) deve ser usado e guardado em área externa à edificação. A IT só aceita o botijão dentro de ocupações não residenciais, como uma escola, quando todas as condições do item 8.3.1 são atendidas ao mesmo tempo. Entre elas: prédio com altura de até 3,0 m pelo critério dos Bombeiros (até dois pavimentos), impossibilidade técnica de fazer uma central de gás e falta de outra fonte de energia. Mesmo nesses casos, o item 8.1.3 limita a dois botijões por unidade, um em uso e um reserva.
Quando o botijão fica fora e o fogão dentro, a IT proíbe mangueira atravessando ou embutida em parede: a travessia tem que ser feita com tubo metálico protegido por tubo-luva (itens 8.1.8.1 e 8.1.8.2). Também pede um registro logo antes do aparelho (item 8.1.8.3).
Mais de um botijão no fogão? Precisa de central de gás
O item 8.1.9 é direto: quando o equipamento precisa de mais de um botijão de 13 kg, a escola deve ter rede de distribuição e central de gás. É o caso típico do fogão industrial de seis bocas ligado a dois ou três P-13 na cozinha. A saída é montar uma central com cilindros maiores, como o P-45, do lado de fora. Os detalhes de montagem estão no nosso guia de instalação do P-45.
A central de gás: fora do prédio, fechada e sem nada guardado
A IT 23 manda instalar os recipientes da central no exterior da edificação, em local ventilado e respeitando afastamentos que variam com a capacidade (item 7.3). A central precisa de barreira física contra acesso de pessoas não autorizadas (item 7.6), coisa importante num pátio com crianças. Se ficar a menos de 3,0 m da projeção do prédio, exige abrigo de material não combustível com paredes, cobertura e porta vazada (itens 7.26.1 e 7.26.2). E o item 7.16 proíbe guardar qualquer material combustível na central ou usá-la para outra finalidade. Ou seja, nada de vassoura e caixa de papelão ali dentro. Saiba mais em normas para central de gás em prédio.
Teste de estanqueidade e ART com no máximo 180 dias
Antes de usar a central, as redes de alimentação e de distribuição passam por ensaio de estanqueidade (item 7.32.1), que confirma que não há vazamento. O laudo do ensaio, junto com a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica, o documento que registra o engenheiro responsável no CREA), é pedido na vistoria e na renovação do AVCB. Esses documentos precisam ter sido emitidos há no máximo 180 dias da data do pedido (itens 7.32.3 a 7.32.5). Entenda o processo no artigo sobre laudo de gás para AVCB em Belo Horizonte.
Além da IT 23, o projeto segue normas da ABNT, como a NBR 13523 (central de GLP), a NBR 15526 (redes de distribuição de gás) e a NBR 13103 (instalação de aparelhos a gás e ventilação). O enquadramento de cada prédio, principalmente dos mais antigos, é avaliado pelo responsável técnico.
Uma comparação útil: em outros estados, redes de ensino já tratam do tema com regras próprias. A rede municipal de Santos (SP), por exemplo, publicou em 2023 um comunicado às escolas proibindo guardar qualquer material na central de GLP. Vale como exemplo de cuidado, não como regra de Minas, que segue a IT 23 do CBMMG.
Um plano de obra que cabe nas férias
Para a maioria das cozinhas de escola e creche, o trabalho cabe em quatro semanas, desde que vistoria e aprovação do orçamento aconteçam antes do recesso:
| Quando | O que fazer | Resultado |
|---|---|---|
| Novembro (com aulas) | Vistoria técnica, levantamento da cozinha e da central, orçamento com escopo detalhado | Proposta pronta para aprovação ou processo de compra |
| 1ª semana de férias | Inspeção completa, teste da rede existente e definição final do projeto | Lista do que será refeito e do que pode ficar |
| 2ª e 3ª semanas | Obra: central externa ou abrigo, tubulação, registros, troca de reguladores e mangueiras | Instalação adequada à IT 23 e às normas da ABNT |
| Última semana | Teste de estanqueidade, laudo com ART, fotos e treinamento rápido de merendeiras e porteiro | Documentação para o AVCB e equipe sabendo o que fazer em caso de cheiro de gás |
O treinamento é curto, mas faz diferença: onde fica o registro geral, como trocar o botijão, como fazer o teste com espuma de sabão e o que não fazer quando sentir cheiro de gás (acender luz, ligar exaustor, usar celular perto do vazamento).
Se a escola tem cozinha grande, com vários fogões, fornos e caldeirões, o caso se parece mais com o de um restaurante. Vale ler sobre projeto de gás para cozinha industrial em BH.
Escola pública, creche conveniada e caixa escolar: como pedir orçamento
Na escola pública, o que atrasa a obra quase nunca é a parte técnica, e sim o orçamento vago que não passa no processo de compra. Um pedido bem feito traz:
- Escopo separado por item: vistoria, projeto, central ou abrigo, tubulação, reguladores, mangueiras, teste de estanqueidade, laudo e ART.
- Fotos e medidas da cozinha e do local onde ficará a central, para que todos os fornecedores orcem a mesma coisa.
- Prazo amarrado às férias: data de início depois do último dia letivo e entrega antes da volta das merendeiras.
- Lista dos documentos de entrega: ART registrada no CREA-MG, laudo de estanqueidade, relatório com fotos do antes e depois, e nota fiscal.
Com esse escopo, o caixa escolar consegue comparar propostas de forma justa e prestar contas sem dor de cabeça. A Engethink já atendeu escolas municipais, caixas escolares e creches na Grande BH, e entrega toda essa documentação junto com a obra.
Perguntas frequentes
A escola pode usar botijão de 13 kg dentro da cozinha?
Pela IT 23, 3ª edição, a regra é deixar o botijão fora do prédio. O uso dentro de uma escola só é aceito se todas as condições do item 8.3.1 forem atendidas, incluindo prédio baixo e impossibilidade técnica de fazer uma central. Mesmo assim, o limite é de um botijão em uso e um reserva.
O fogão industrial da escola precisa de central de gás?
Se o fogão precisa de mais de um botijão de 13 kg para funcionar, sim. O item 8.1.9 da IT 23 exige rede de distribuição e central de gás nesse caso.
Posso guardar material na central de gás?
Não. A IT 23 proíbe guardar qualquer material combustível na área da central e usá-la para outra finalidade. Botijão vazio, vassoura, papelão e produto de limpeza devem ficar em outro lugar.
Quanto tempo vale o laudo de estanqueidade para o AVCB?
Para a vistoria e a renovação do AVCB, a IT 23 pede laudo e ART emitidos há no máximo 180 dias da data do pedido. Laudo mais antigo precisa ser refeito.
Dá para fazer a obra com a escola funcionando?
Algumas partes, como vistoria e orçamento, sim. A obra em si exige cortar o gás da cozinha e deixar o local livre, por isso o recomendado é concentrar tudo nas férias.
Deixe a cozinha da escola em dia antes da volta às aulas
A instalação de gás em escola e creche tem regra própria, ficou mais rígida com a 3ª edição da IT 23 e só pode ser corrigida com tranquilidade quando as crianças estão em casa. A Engethink Engenharia faz a vistoria, adequa a central e a rede, testa a estanqueidade e entrega laudo com ART antes da volta às aulas, sob responsabilidade do Eng. Felipe Wagner Andrade Abreu, engenheiro mecânico, CREA-MG 106036/D.
Engenheiro responsável, laudo e ART: a Engethink assina embaixo. Fale com a Engethink pelo WhatsApp (31) 98422-1807 e agende a vistoria da sua escola ainda em novembro.
