O ensaio de estanqueidade em central de GLP tem pouco a ver com o teste que se faz na rede interna de um apartamento. Muda a pressão — de 20 kPa para 1,7 MPa —, muda o fluido admitido, muda a faixa exigida do instrumento e mudam os critérios de registro. Confundir os dois procedimentos é o que produz laudos que não resistem a uma análise técnica e centrais liberadas sem comprovação real de estanqueidade. Este guia trata da parte que quase nunca é detalhada: instrumentos, parâmetros e critérios de aceitação conforme a ABNT NBR 13523.
Por que a central exige pressão de ensaio tão alta
A central de GLP armazena gás liquefeito sob sua própria pressão de vapor. Essa pressão não é constante: sobe com a temperatura ambiente e pode ultrapassar folgadamente 1 MPa em dia quente, dentro dos recipientes e em toda a tubulação de alta pressão que vai até o regulador de primeiro estágio.
Por isso a NBR 13523 fixa pressões de ensaio de outra ordem de grandeza: no mínimo 1,7 MPa no ensaio pneumático e no mínimo 2,55 MPa no ensaio hidráulico. O ensaio precisa envelopar a pior condição operacional com margem — não apenas reproduzir a pressão de um dia ameno.
Consequência prática: a tubulação de alta da central, seus acessórios e as juntas precisam ser compatíveis com essa pressão de projeto. Tubo, conexão ou registro especificados para rede de baixa pressão simplesmente não pertencem a uma central de GLP, e o ensaio é o momento em que isso aparece.
Parâmetros de ensaio na central de GLP
| Parâmetro | Ensaio pneumático | Ensaio hidráulico |
|---|---|---|
| Pressão mínima de ensaio | 1,7 MPa | 2,55 MPa |
| Fluido | Ar comprimido | Água |
| Tempo mínimo | 15 minutos com a pressão estabilizada | |
| Instrumento | Manômetro calibrado, leitura entre 25 % e 75 % do fundo de escala | |
| Critério de aceitação | Nenhuma variação perceptível da medição durante todo o ensaio | |
| Em caso de queda | Localizar, reparar e repetir o ensaio | |
Duas leituras importantes dessa tabela. Primeira: o tempo de 15 minutos é menor que os 60 minutos da rede interna, mas o ensaio é muito mais severo — a pressão elevada faz qualquer fuga se manifestar rápido. Segunda: nunca se ensaia a central com o próprio GLP. Além do risco óbvio de atmosfera explosiva, o GLP em fase líquida tem comportamento térmico que invalida a leitura.
O instrumento: onde a maioria dos laudos falha
A exigência de leitura entre 25 % e 75 % do fundo de escala não é formalidade. Ela garante que a agulha opere na região de melhor exatidão do instrumento e que a resolução seja suficiente para enxergar uma queda pequena.
Como escolher o fundo de escala
Para um ensaio pneumático a 1,7 MPa, a faixa de 25–75 % implica um manômetro com fundo de escala aproximadamente entre 2,3 MPa e 6,8 MPa. Um instrumento de 25 MPa — comum em kits genéricos — coloca a leitura em menos de 7 % da escala: fora da faixa, com resolução grosseira, e o ensaio não vale.
Calibração rastreável
O manômetro precisa de certificado de calibração vigente, emitido por laboratório com rastreabilidade metrológica. O número do certificado, a identificação do instrumento e a validade devem constar do laudo. Laudo que não identifica o instrumento utilizado é laudo que não se pode auditar.
Registro da temperatura
Ar comprimido a 1,7 MPa aquece ao ser injetado e esfria em seguida. Se a leitura inicial for tomada antes do equilíbrio térmico, aparece uma queda que não é vazamento — e uma central estanque é reprovada sem motivo. Registrar a temperatura ambiente no início e no fim do ensaio é boa prática que evita retrabalho e sustenta o laudo.
Passo a passo do ensaio
- Inspeção prévia. Verificar materiais, suportação, proteção contra intempéries, ventilação do abrigo, sinalização e as distâncias de segurança exigidas pela NBR 13523 — ensaiar uma central mal posicionada resolve apenas metade do problema.
- Isolamento do trecho. Bloquear a montante e a jusante, retirando do circuito ensaiado o que não suporta a pressão de ensaio, especialmente reguladores e dispositivos de alívio.
- Conexão do instrumento. Instalar o manômetro calibrado com fundo de escala compatível, em ponto que permita leitura clara.
- Pressurização gradual. Elevar a pressão de forma controlada até o valor de ensaio, evitando golpe.
- Estabilização. Aguardar o equilíbrio térmico antes de registrar a leitura inicial.
- Observação por 15 minutos. Acompanhar o manômetro durante todo o período, sem interrupção.
- Despressurização segura e restituição dos componentes removidos.
- Registro e laudo com todos os parâmetros aplicados e a ART do responsável técnico.
Critério de aceitação e o que entra no laudo
O critério é o mesmo de toda a família de normas de gás: nenhuma variação perceptível da medição. Não há queda tolerável. Constatada redução, localiza-se a fuga, repara-se e repete-se o ensaio por inteiro.
Um laudo de central de GLP que se sustenta contém, no mínimo:
- identificação da edificação, da central e do trecho ensaiado;
- tipo de ensaio (pneumático ou hidráulico) e pressão aplicada;
- tempo de ensaio e horários de início e término;
- identificação do manômetro, fundo de escala e número do certificado de calibração;
- temperatura ambiente no início e no fim;
- resultado, com registro fotográfico;
- norma de referência e ART do engenheiro responsável.
Falta qualquer um desses itens e o documento vira declaração de opinião. Os parâmetros equivalentes para rede interna estão reunidos em pressão e tempo do teste de estanqueidade de gás.
O que o Corpo de Bombeiros de MG observa
Em Minas Gerais, a manipulação, o armazenamento e a utilização de GLP são tratados em Instrução Técnica própria do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, e a documentação da central é analisada na concessão e na renovação do AVCB. Na vistoria, os pontos que mais geram exigência são previsíveis: distância de segurança da central em relação a aberturas, fontes de ignição e divisas; ventilação permanente do abrigo; proteção e sinalização; estado de reguladores e válvulas; e, naturalmente, o laudo de estanqueidade com ART.
Sobre os requisitos de implantação, vale ler distância mínima da central de gás GLP e instalação de central de gás GLP: NBR 13523 na prática. Para a rotina de conservação entre um ensaio e outro, o checklist de manutenção preventiva da central resolve a maior parte das não conformidades antes que elas virem exigência.
Seis erros que reprovam a central
- Ensaiar a central com os parâmetros da rede interna — 20 kPa numa tubulação de alta não prova nada.
- Deixar o regulador dentro do trecho ensaiado, danificando o equipamento e falseando o resultado.
- Manômetro com fundo de escala muito alto, fora da faixa de 25 % a 75 %.
- Usar o próprio GLP como fluido de ensaio.
- Tomar a leitura inicial sem estabilização térmica, gerando reprovação falsa.
- Emitir laudo sem ART ou sem identificar o instrumento e os parâmetros aplicados.
Perguntas frequentes
Qual a pressão do ensaio de estanqueidade na central de GLP?
Conforme a ABNT NBR 13523, no mínimo 1,7 MPa no ensaio pneumático e no mínimo 2,55 MPa no ensaio hidráulico, mantidas por pelo menos 15 minutos com a pressão estabilizada.
Pode usar água para testar a central de GLP?
Sim, no ensaio hidráulico, a no mínimo 2,55 MPa. Exige drenagem e secagem completas antes de recolocar a central em operação, e por isso é mais comum em instalações novas do que em manutenção.
Qual manômetro usar no ensaio da central?
Um instrumento calibrado cujo fundo de escala coloque a pressão de ensaio entre 25 % e 75 % da escala — para 1,7 MPa, algo aproximadamente entre 2,3 MPa e 6,8 MPa de fundo de escala.
O ensaio da central substitui o teste dos apartamentos?
Não. São trechos distintos, com normas e parâmetros próprios: a central segue a NBR 13523 e a rede interna das unidades segue a NBR 15526. A documentação completa da edificação exige os dois.
Quem pode assinar o laudo da central de GLP?
Engenheiro com atribuição e registro no CREA, mediante ART. O laudo deve trazer os parâmetros de ensaio aplicados e a identificação do instrumento utilizado.
Ensaio na central com parâmetro certo e laudo auditável
A Engethink executa o ensaio de estanqueidade em centrais de GLP de condomínios, comércios e indústrias em Belo Horizonte e região metropolitana, com instrumentação calibrada, registro completo dos parâmetros e laudo com ART aceito na renovação do AVCB. Quando o ensaio aponta não conformidade, fazemos também a substituição de reguladores, válvulas e trechos de tubulação.
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