Ensaio de Estanqueidade em Central de GLP: Instrumentos e Aceitação

Técnico realizando ensaio de estanqueidade em central de GLP de condomínio, com cilindros P-45, coletor de cobre e manômetro conectado

O ensaio de estanqueidade em central de GLP tem pouco a ver com o teste que se faz na rede interna de um apartamento. Muda a pressão — de 20 kPa para 1,7 MPa —, muda o fluido admitido, muda a faixa exigida do instrumento e mudam os critérios de registro. Confundir os dois procedimentos é o que produz laudos que não resistem a uma análise técnica e centrais liberadas sem comprovação real de estanqueidade. Este guia trata da parte que quase nunca é detalhada: instrumentos, parâmetros e critérios de aceitação conforme a ABNT NBR 13523.

Por que a central exige pressão de ensaio tão alta

A central de GLP armazena gás liquefeito sob sua própria pressão de vapor. Essa pressão não é constante: sobe com a temperatura ambiente e pode ultrapassar folgadamente 1 MPa em dia quente, dentro dos recipientes e em toda a tubulação de alta pressão que vai até o regulador de primeiro estágio.

Por isso a NBR 13523 fixa pressões de ensaio de outra ordem de grandeza: no mínimo 1,7 MPa no ensaio pneumático e no mínimo 2,55 MPa no ensaio hidráulico. O ensaio precisa envelopar a pior condição operacional com margem — não apenas reproduzir a pressão de um dia ameno.

Consequência prática: a tubulação de alta da central, seus acessórios e as juntas precisam ser compatíveis com essa pressão de projeto. Tubo, conexão ou registro especificados para rede de baixa pressão simplesmente não pertencem a uma central de GLP, e o ensaio é o momento em que isso aparece.

Esquema da montagem do ensaio de estanqueidade em central de GLP com recipientes P-45, válvulas de bloqueio, regulador de primeiro estágio, trecho isolado e manômetro calibrado
Montagem típica do ensaio: trecho isolado entre bloqueios, fluido de ensaio e manômetro calibrado com leitura na faixa útil da escala.

Parâmetros de ensaio na central de GLP

Parâmetro Ensaio pneumático Ensaio hidráulico
Pressão mínima de ensaio 1,7 MPa 2,55 MPa
Fluido Ar comprimido Água
Tempo mínimo 15 minutos com a pressão estabilizada
Instrumento Manômetro calibrado, leitura entre 25 % e 75 % do fundo de escala
Critério de aceitação Nenhuma variação perceptível da medição durante todo o ensaio
Em caso de queda Localizar, reparar e repetir o ensaio
Valores conforme a ABNT NBR 13523. Confirme a edição vigente aplicável à data do laudo.

Duas leituras importantes dessa tabela. Primeira: o tempo de 15 minutos é menor que os 60 minutos da rede interna, mas o ensaio é muito mais severo — a pressão elevada faz qualquer fuga se manifestar rápido. Segunda: nunca se ensaia a central com o próprio GLP. Além do risco óbvio de atmosfera explosiva, o GLP em fase líquida tem comportamento térmico que invalida a leitura.

O instrumento: onde a maioria dos laudos falha

A exigência de leitura entre 25 % e 75 % do fundo de escala não é formalidade. Ela garante que a agulha opere na região de melhor exatidão do instrumento e que a resolução seja suficiente para enxergar uma queda pequena.

Como escolher o fundo de escala

Para um ensaio pneumático a 1,7 MPa, a faixa de 25–75 % implica um manômetro com fundo de escala aproximadamente entre 2,3 MPa e 6,8 MPa. Um instrumento de 25 MPa — comum em kits genéricos — coloca a leitura em menos de 7 % da escala: fora da faixa, com resolução grosseira, e o ensaio não vale.

Calibração rastreável

O manômetro precisa de certificado de calibração vigente, emitido por laboratório com rastreabilidade metrológica. O número do certificado, a identificação do instrumento e a validade devem constar do laudo. Laudo que não identifica o instrumento utilizado é laudo que não se pode auditar.

Registro da temperatura

Ar comprimido a 1,7 MPa aquece ao ser injetado e esfria em seguida. Se a leitura inicial for tomada antes do equilíbrio térmico, aparece uma queda que não é vazamento — e uma central estanque é reprovada sem motivo. Registrar a temperatura ambiente no início e no fim do ensaio é boa prática que evita retrabalho e sustenta o laudo.

Passo a passo do ensaio

  1. Inspeção prévia. Verificar materiais, suportação, proteção contra intempéries, ventilação do abrigo, sinalização e as distâncias de segurança exigidas pela NBR 13523 — ensaiar uma central mal posicionada resolve apenas metade do problema.
  2. Isolamento do trecho. Bloquear a montante e a jusante, retirando do circuito ensaiado o que não suporta a pressão de ensaio, especialmente reguladores e dispositivos de alívio.
  3. Conexão do instrumento. Instalar o manômetro calibrado com fundo de escala compatível, em ponto que permita leitura clara.
  4. Pressurização gradual. Elevar a pressão de forma controlada até o valor de ensaio, evitando golpe.
  5. Estabilização. Aguardar o equilíbrio térmico antes de registrar a leitura inicial.
  6. Observação por 15 minutos. Acompanhar o manômetro durante todo o período, sem interrupção.
  7. Despressurização segura e restituição dos componentes removidos.
  8. Registro e laudo com todos os parâmetros aplicados e a ART do responsável técnico.

Critério de aceitação e o que entra no laudo

O critério é o mesmo de toda a família de normas de gás: nenhuma variação perceptível da medição. Não há queda tolerável. Constatada redução, localiza-se a fuga, repara-se e repete-se o ensaio por inteiro.

Um laudo de central de GLP que se sustenta contém, no mínimo:

  • identificação da edificação, da central e do trecho ensaiado;
  • tipo de ensaio (pneumático ou hidráulico) e pressão aplicada;
  • tempo de ensaio e horários de início e término;
  • identificação do manômetro, fundo de escala e número do certificado de calibração;
  • temperatura ambiente no início e no fim;
  • resultado, com registro fotográfico;
  • norma de referência e ART do engenheiro responsável.

Falta qualquer um desses itens e o documento vira declaração de opinião. Os parâmetros equivalentes para rede interna estão reunidos em pressão e tempo do teste de estanqueidade de gás.

O que o Corpo de Bombeiros de MG observa

Em Minas Gerais, a manipulação, o armazenamento e a utilização de GLP são tratados em Instrução Técnica própria do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, e a documentação da central é analisada na concessão e na renovação do AVCB. Na vistoria, os pontos que mais geram exigência são previsíveis: distância de segurança da central em relação a aberturas, fontes de ignição e divisas; ventilação permanente do abrigo; proteção e sinalização; estado de reguladores e válvulas; e, naturalmente, o laudo de estanqueidade com ART.

Sobre os requisitos de implantação, vale ler distância mínima da central de gás GLP e instalação de central de gás GLP: NBR 13523 na prática. Para a rotina de conservação entre um ensaio e outro, o checklist de manutenção preventiva da central resolve a maior parte das não conformidades antes que elas virem exigência.

Seis erros que reprovam a central

  • Ensaiar a central com os parâmetros da rede interna — 20 kPa numa tubulação de alta não prova nada.
  • Deixar o regulador dentro do trecho ensaiado, danificando o equipamento e falseando o resultado.
  • Manômetro com fundo de escala muito alto, fora da faixa de 25 % a 75 %.
  • Usar o próprio GLP como fluido de ensaio.
  • Tomar a leitura inicial sem estabilização térmica, gerando reprovação falsa.
  • Emitir laudo sem ART ou sem identificar o instrumento e os parâmetros aplicados.

Perguntas frequentes

Qual a pressão do ensaio de estanqueidade na central de GLP?

Conforme a ABNT NBR 13523, no mínimo 1,7 MPa no ensaio pneumático e no mínimo 2,55 MPa no ensaio hidráulico, mantidas por pelo menos 15 minutos com a pressão estabilizada.

Pode usar água para testar a central de GLP?

Sim, no ensaio hidráulico, a no mínimo 2,55 MPa. Exige drenagem e secagem completas antes de recolocar a central em operação, e por isso é mais comum em instalações novas do que em manutenção.

Qual manômetro usar no ensaio da central?

Um instrumento calibrado cujo fundo de escala coloque a pressão de ensaio entre 25 % e 75 % da escala — para 1,7 MPa, algo aproximadamente entre 2,3 MPa e 6,8 MPa de fundo de escala.

O ensaio da central substitui o teste dos apartamentos?

Não. São trechos distintos, com normas e parâmetros próprios: a central segue a NBR 13523 e a rede interna das unidades segue a NBR 15526. A documentação completa da edificação exige os dois.

Quem pode assinar o laudo da central de GLP?

Engenheiro com atribuição e registro no CREA, mediante ART. O laudo deve trazer os parâmetros de ensaio aplicados e a identificação do instrumento utilizado.

Ensaio na central com parâmetro certo e laudo auditável

A Engethink executa o ensaio de estanqueidade em centrais de GLP de condomínios, comércios e indústrias em Belo Horizonte e região metropolitana, com instrumentação calibrada, registro completo dos parâmetros e laudo com ART aceito na renovação do AVCB. Quando o ensaio aponta não conformidade, fazemos também a substituição de reguladores, válvulas e trechos de tubulação.

Engethink Engenharia · (31) 98422-1807 · [email protected] · Av. Amazonas 2.904, Loja 222 – Prado, Belo Horizonte/MG

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