Gás natural para indústria em Minas Gerais: Betim a Divinópolis

Estação de regulagem e tubulação amarela de gás natural em indústria no interior de Minas Gerais

O gás natural para indústria em Minas Gerais deixou de ser assunto só da Região Metropolitana de BH e do Vale do Aço. Com o Gasoduto Centro-Oeste da Gasmig, fábricas de Betim, Itaúna, Divinópolis e de outras cidades do eixo passam a ter a rede canalizada perto do portão. Isso não basta para ligar o gás: dentro do terreno, quem projeta, executa, ensaia e assina a rede interna é a própria indústria, seguindo a ABNT NBR 15358. Este artigo mostra o que preparar desde já para não perder tempo quando o ramal chegar.

O que é o Gasoduto Centro-Oeste e quais cidades ele alcança

Segundo a Agência Minas, a Linha Tronco entre Betim e Divinópolis foi inaugurada em novembro de 2025, com 110 km concluídos. O projeto completo prevê cerca de 300 km de rede e investimento acima de R$ 800 milhões. Oito municípios ficam ligados diretamente à distribuição:

  • Betim e Sarzedo;
  • Igarapé e São Joaquim de Bicas;
  • Juatuba e Mateus Leme;
  • Itaúna e Divinópolis.

Esses municípios respondem por cerca de 10% do PIB industrial do estado, ainda segundo o governo de Minas. Em maio de 2026, a Gasmig informou que 220 km dos 300 km já estavam implantados e que a conclusão está prevista para o segundo semestre de 2026. Reportagem do Diário do Comércio estimava entre 35 e 40 grandes clientes industriais na região.

É uma previsão, não uma data fechada. A disponibilidade em cada endereço depende das linhas laterais e do ramal até o lote, e só a distribuidora confirma isso. O que a indústria controla é o próprio lado do medidor, e essa parte leva meses.

Por que preparar a rede interna antes de o gás chegar

Na prática, a fila não está na distribuidora. Está dentro da fábrica: levantamento de equipamentos, projeto, compra de tubos e válvulas, parada programada para interligar queimadores, ensaios e documentação. Quem deixa tudo para depois da chegada do ramal costuma ficar meses com a rede pública na porta e a caldeira ainda queimando o combustível antigo.

Antecipar também ajuda a negociar. Com o consumo e a pressão bem definidos, a conversa com a Gasmig sobre ponto de entrega, estação de medição e contrato parte de números reais, e não de estimativas genéricas.

Há ainda o orçamento. Tubulação, reguladores, válvulas e eventuais queimadores novos são investimentos que precisam entrar no planejamento do ano. Com um projeto em mãos, a área de manutenção consegue cotar com fornecedores, comparar prazos de entrega e encaixar a interligação numa parada já prevista, sem improviso.

Primeiro passo: levantar consumo, pressão e equipamentos

Antes de qualquer desenho, é preciso saber o que vai queimar gás e em que condições. O levantamento técnico normalmente reúne:

  • Inventário de equipamentos: caldeiras, fornos, secadores, estufas, aquecedores de fluido térmico, cozinhas industriais, com marca, modelo e potência nominal;
  • Combustível atual: GLP, óleo combustível, diesel, lenha ou energia elétrica, e o consumo médio mensal registrado nas notas;
  • Pressão exigida por cada queimador na entrada do trem de válvulas, conforme o manual do fabricante;
  • Regime de operação: turnos, picos simultâneos e expansões planejadas para os próximos anos;
  • Layout: onde a rede pode passar (aérea, enterrada, em canaleta), áreas classificadas, circulação de empilhadeiras e pontes rolantes.

Desse levantamento sai a vazão de projeto, que define o diâmetro das tubulações, o número de estágios de regulagem e o tamanho do medidor. Errar aqui para menos significa queimador sem pressão em plena carga; errar para mais significa dinheiro parado em tubo superdimensionado.

Projeto da rede de gás industrial pela NBR 15358

A ABNT NBR 15358 trata da rede de distribuição interna para gás combustível em instalações de uso não residencial, com pressão de operação de até 400 kPa, abastecidas por rede canalizada ou por central de gás. É ela que se aplica à fábrica, e não a NBR 15526, que cobre residências e comércios. Antes de contratar, confira na ABNT qual é a edição em vigor e peça ao projetista que a indique no memorial.

Um projeto completo de rede de gás industrial costuma conter:

Item do projeto Para que serve
Memorial descritivo e de cálculo Registra vazões, perdas de carga, pressões e materiais escolhidos
Plantas e isométricos Mostram o traçado, diâmetros, suportes e pontos de consumo
Estágios de regulagem Definem onde a pressão é reduzida até chegar a cada equipamento
Válvulas de bloqueio e alívio Permitem isolar setores e proteger a rede contra sobrepressão
Especificação de materiais Tubos, conexões, juntas e soldas compatíveis com a pressão e o local
Identificação e sinalização Cor da tubulação, sentido de fluxo e placas de advertência

Além da norma da ABNT, a distribuidora tem suas próprias exigências técnicas para o ponto de entrega e o abrigo de medição. O projeto precisa conversar com as duas. Para entender como essa etapa vira obra, veja nosso guia de instalação de gás industrial em BH e região.

Conversão de queimadores: de GLP ou óleo para gás natural

Trocar o combustível não é só mudar o tubo de alimentação. O gás natural tem poder calorífico e densidade diferentes do GLP e do óleo, e o queimador precisa ser adaptado ou substituído para trabalhar com segurança e boa eficiência.

Quem vem do GLP

Muitos queimadores aceitam conversão com troca de injetores, bicos ou kit do fabricante, seguida de nova regulagem de ar e combustível. Em alguns modelos, a conversão não é prevista e a troca do queimador sai mais barata que a adaptação. A central de GLP existente pode ficar como reserva por um período, desde que as duas fontes nunca se misturem na mesma rede.

Quem vem do óleo combustível ou diesel

Aqui normalmente entra um queimador novo ou um queimador misto (dual), com trem de válvulas de gás completo: filtro, regulador, válvulas de bloqueio automático, pressostatos e sistema de supervisão de chama. Esse conjunto segue a norma ABNT de controle e segurança de sistemas de combustão e as instruções do fabricante do equipamento.

Em qualquer dos casos, a conversão termina com análise dos gases de combustão e ajuste fino. É isso que garante a economia prometida e evita monóxido de carbono e fuligem.

Comissionamento: ensaio, laudo, ART e seguro

Rede pronta não é rede liberada. Antes de admitir gás, a instalação passa pelo comissionamento, e é esse conjunto de documentos que a distribuidora, o seguro e a fiscalização vão pedir:

  • Ensaio de estanqueidade da rede interna, com pressão e duração definidas pela norma e registro em manômetro calibrado;
  • Laudo técnico com os resultados, os trechos ensaiados e a declaração de conformidade;
  • ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do projeto e da execução, registrada no CREA-MG;
  • As built, ou seja, o desenho final de como a rede foi realmente construída;
  • Comunicação à seguradora sobre a mudança de combustível, já que o risco da planta muda.

Depois da partida, a rede entra na rotina de manutenção: inspeção de reguladores, válvulas de bloqueio, juntas e suportes, e reensaios periódicos. Explicamos essa rotina no artigo sobre manutenção preventiva de redes de gás industrial.

Na prática: gás natural em caldeira industrial

Em uma indústria da Grande BH atendida pela Engethink, a caldeira já operava com gás natural e a planta mantinha pontos em GLP. O trabalho incluiu verificação da rede de alimentação da caldeira, conferência dos pontos de GLP e ensaio de estanqueidade com laudo e ART. A rede foi aprovada no ensaio, e a empresa ficou com a documentação em dia para auditoria e seguradora.

O ponto que se repete nesse tipo de obra: a parte mais demorada quase nunca é a solda. É reunir dados de equipamentos antigos, conciliar a parada da produção e deixar a papelada consistente com o que foi construído. Por isso o levantamento feito com antecedência faz tanta diferença.

Perguntas frequentes

Minha fábrica em Itaúna ou Divinópolis já pode pedir gás natural?

A Linha Tronco já passa pelas duas cidades, mas a ligação depende das linhas laterais e do ramal até o seu endereço. Quem confirma a viabilidade é a Gasmig. Enquanto isso, dá para adiantar o levantamento e o projeto interno.

Qual norma vale para a rede de gás dentro da indústria?

Para uso não residencial com pressão de até 400 kPa, a referência é a ABNT NBR 15358. Os queimadores seguem também as normas de sistemas de combustão e as exigências da distribuidora.

Posso aproveitar a tubulação de GLP para o gás natural?

Às vezes, em parte. É preciso recalcular diâmetros para a nova vazão e pressão, verificar o estado da tubulação e ensaiar tudo de novo. Só um projeto diz o que pode ser reaproveitado.

Todo queimador precisa ser trocado?

Não. Muitos queimadores de GLP aceitam kit de conversão. Os de óleo, em geral, precisam de queimador novo ou misto. A decisão depende do modelo e da orientação do fabricante.

Quais documentos a indústria precisa ter ao final?

Projeto com memorial, as built, laudo do ensaio de estanqueidade e ART de projeto e execução. Guarde tudo: são os primeiros papéis pedidos em auditoria, seguro e vistoria. Depois, mantenha o histórico das inspeções e manutenções da rede de gás junto com eles.

Prepare sua fábrica para o gás natural com a Engethink

A chegada do gás natural para indústria em Minas Gerais pelo eixo Betim–Divinópolis é uma chance real de reduzir custo e simplificar a logística de combustível. Quem aproveita primeiro é quem já tem levantamento, projeto e cronograma prontos.

A Engethink Engenharia faz levantamento de consumo, projeto pela NBR 15358, acompanhamento da execução, conversão de equipamentos, ensaio de estanqueidade e laudo, com o Eng. Felipe Wagner Andrade Abreu (engenheiro mecânico, CREA-MG 106036/D) como responsável técnico. Engenheiro responsável, laudo e ART: a Engethink assina embaixo.

Fale agora com a Engethink pelo WhatsApp: (31) 98422-1807.

 

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